Médico perde licença por mentir sobre diagnóstico de câncer em crianças para extorquir famílias

Na semana passada, um médico no Reino Unido identificado como Mina Chowdhury, perdeu o registro profissional após fazer diversos diagnósticos falsos de câncer em crianças há pelo menos cinco anos. O objetivo do profissional era assustar os pais dos pacientes para que pagassem por exames em sua empresa de saúde privada.

De acordo com registros policiais, em 2017, ele deixou três famílias aterrorizadas ao alegar que os filhos poderiam ter doenças graves, incluindo câncer, problemas no coração e no sistema imunológico.

Um tribunal médico ouviu denúncias que o consultor pediátrico afastou os pais do tratamento gratuito do NHS (Serviço Nacional de Saúde) e se recusou a deixar os médicos da família saberem qual tratamento seria feito nas crianças. Outra consequência após descobrirem toda a conduta de Mina é que o júri do MPTS (Medical Practitioners Tribunal Service) o proibiu de praticar a medicina depois de descobrir que seu comportamento foi “motivado financeiramente”.

O MPTS cita que ele deu às famílias uma “sensação injustificada de preocupação sem justificativa clínica” e também fez diversas críticas a sua “desonestidade persistente”.

Entenda o caso
O crime ocorreu quando Chowdhury trabalhava para o NHS Forth Valley, que presta serviços na área de Falkirk e Stirling, na Escócia, embora as famílias afetadas tenham feito consultas com o médico enquanto ele trabalhava em um consultório particular.

Na época, uma das famílias foi informada que a criança tinha câncer na perna e que encaminhá-los de volta ao NHS “seria confuso”. Uma segunda família foi avisada que altos níveis de células B no corpo de seu filho poderiam ser devido a câncer no sangue ou linfoma. Em seguida, o médico indicou um lugar em Londres que oferecia tratamento para a doença, embora sem qualquer tipo de justificativa clínica, e afirmou falsamente que nenhum lugar da Escócia faria um ecocardiograma, exame considerado simples de ser encontrado e agendado pelos órgãos de saúde.

Outros pais foram surpreendidos com a notícia de que seus filhos deveriam fazer vários exames de sangue, com custo de 3.245 libras (equivalente a R$ 20,9 mil), e que eles deveriam viajar para Londres para uma ressonância magnética. Porém, Chowdhury se recusava a escrever uma carta para confirmar seus cuidados e tratamentos para esses pacientes aos seus médicos.

O presidente do MPTS, James Newton-Price, afirmou que “tendo feito descobertas de que o dr. Chowdhury havia feito diagnósticos de câncer sem investigação ou justificativa suficiente e que ele havia recomendado testes e investigações privadas desnecessárias que foram motivadas financeiramente, não há dúvidas de que as ações do dr. Chowdhury eram desonestas para os padrões das pessoas comuns” e que “O tribunal considerou que a motivação financeira e a desonestidade do dr. Chowdhury, conforme descrito acima, equivaliam a má conduta no exercício de sua prática profissional.”

Em sua decisão, o júri disse: “O tribunal determinou que este é um caso em que houve desonestidade persistente em várias áreas que o dr. Chowdhury não reconheceu totalmente nem admitiu totalmente”. Chowdhury tem 28 dias para recorrer da decisão, embora não possa mais exercer a medicina.

Com informações do R7

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