Polícia vai analisar material biológico descartado por anestesista; equipe que desconfiou recolheu gaze no lixo

O setor de perícia da Polícia Civil vai analisar o material biológico de Giovanni Quintela Bezerra, médico anestesista preso em flagrante pelo estupro de uma mulher durante uma cesariana em um hospital em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

As drogas utilizadas para sedar a vítima também foram apreendidas pela polícia. Além disso, nesta segunda-feira (11), outra mulher atendida pelo anestesista dia 6, sua mãe e o acompanhante de uma outra possível vítima foram ouvidos pelos agentes.

O médico foi transferido para o presídio de Benfica. Só no dia do flagrante, o último domingo, a polícia investiga se ele cometeu outros dois estupros.

Nos depoimentos colhidos pela Delegacia de Atendimento à Mulher de São João de Meriti, testemunhas contaram que Giovanni, posicionado na cabeça da vítima, montou uma espécie de “cabana” que impedia que o resto da equipe o visse.

As imagens, gravadas pela equipe, que já desconfiava da atuação do anestesista, mostraram que o homem inseriu seu pênis na boca da paciente, ainda desacordada.

Depois que terminou, Giovanni utilizou um material, como gaze, para limpar a boca da paciente, e descartou o material em uma lixeira do próprio centro cirúrgico.

No entanto, os enfermeiros da equipe que acompanhou os procedimentos recolheram o material descartado e o entregaram à polícia.

“A mesma equipe de enfermagem, que fez um trabalho brilhante, digno de todos os elogios, também recolheu frascos de substâncias que foram ministradas à vítima, possivelmente para que o crime fosse cometido”, afirmou a delegada Bárbara Lomba.

“Nunca tinha visto nada parecido. A gente tem 21 anos de atuação na polícia, acostumados com atrocidades, toda sorte de violência”, disse.

Gravação e flagrante

Um grupo de funcionários do Hospital da Mulher Heloneida Studart decidiu gravar a terceira cesárea para qual o anestesista Giovanni estava escalado no domingo (10) depois de notar, nas duas anteriores, um comportamento estranho do anestesista.

As funcionárias estranhavam, por exemplo, a quantidade de sedativo aplicado nas grávidas. As enfermeiras e técnicas disseram que o médico já tinha participado de outras duas cirurgias em salas onde a gravação escondida era inviável.

Na terceira operação do dia, elas conseguiram, de última hora, trocar a sala, esconder o telefone e confirmar o flagrante.

Os funcionários pegaram um celular e o posicionaram em um armário com portas de vidro, mas não acompanharam o procedimento e só viram o flagrante quando pegaram o telefone — razão pela qual não puderam interromper o crime.

Uma delas relatou à polícia que “Giovanni ficava sempre à frente do pescoço e da cabeça da paciente, obstruindo o campo de visão de qualquer pessoa” na sala de cirurgia.

A funcionária também contou, em depoimento, que o anestesista sedava “de maneira demasiada” e que “as pacientes nem sequer conseguiam segurar os seus bebês” após o parto.

Na segunda operação do domingo, segundo a funcionária, “Giovanni usou um capote aberto nele próprio, alargando sua silhueta, e se posicionou de uma maneira que também impedia que qualquer pessoa pudesse ver a paciente do pescoço para cima”.

“Giovanni, ainda posicionado na direção do pescoço e da cabeça da paciente, iniciou, com o braço esquerdo curvado, movimentos lentos para frente e para trás”, disse a testemunha.

“Pelo movimento e pela curvatura do braço, pareceu que estava segurando a cabeça da paciente em direção à sua região pélvica.”

No vídeo do flagrante, a paciente está deitada na maca, inconsciente. Do lado esquerdo do lençol, a equipe cirúrgica do hospital começa a cesariana. Enquanto isso, do lado direito do lençol, a menos de um metro de distância dos colegas, Giovanni abre o zíper da calça, puxa o pênis para fora e o introduz na boca da grávida.

A violência dura 10 minutos. Enquanto abusa da gestante, o anestesista tenta se movimentar pouco para que ninguém na sala perceba. Quando termina, ele pega um lenço de papel e limpa a vítima para esconder os vestígios do crime.

“As pacientes [de Giovanni] ficavam complemente fora de si. Quando eram cuidadas por outro anestesista, jamais ficavam dessa maneira”, disse uma funcionária. A polícia agora vai tentar descobrir outras possíveis vítimas do anestesista.

Fonte: G1

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